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17/11/2016

Congresso Brasileiro de Economia - 2017

A próxima edição do Congresso Brasileiro de Economia (CBE) será realizado em Belo Horizonte (MG), em 2017, numa organização conjunta do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e o Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG).  A escolha foi feita, por aclamação, na plenária final da última edição do congresso, que aconteceu em setembro, em Curitiba (PR).  A vinda do evento para a capital mineira ocorrerá 30 anos depois que a cidade o sediou, em 1987, no Minascentro,  e recebeu cerca de 2 mil economistas de todo o país.

 

“Minas Gerais, por meio do conselho regional, sempre teve uma vontade política de realizar o congresso e considero uma conquista, já que pleiteávamos ser a sede desde 2011. Portanto,  é com alegria que agora o acolhemos em nosso Estado”, revela o presidente do Corecon-MG, Antônio de Pádua Ubirajara e Silva. Pelo entendimento de vários economistas, segundo Pádua, Minas, de alguns anos para cá, perdeu o protagonismo do debate econômico do país e viu migrar daqui muitas empresas e trabalhadores qualificados, num fluxo que trouxe perda de importância econômica. “O congresso é uma oportunidade de recolocar nosso Estado no debate nacional da economia, trazer uma profunda  reflexão sobre o papel do desenvolvimento tanto nacional quanto regional”, completa.

Em dois anos haverá muito trabalho a ser feito e um longo caminho a percorrer. O primeiro passo é constituir a Comissão Científica, que será formada por doutores e importantes nomes da Economia. Cabe a ela, cérebro do evento, propor as grandes linhas de discussão, dividir o tema – que será definido anteriormente por uma comissão paritária entre o conselho federal e o regional - em eixos específicos e identificar os possíveis nomes de convidados. É preocupação do presidente que os economistas brasileiros estejam atentos às relações entre o Estado e o mercado e também reflitam sobre a democracia no país. “Não devemos  fugir de temas que são cruciais para o desenvolvimento do país e que perpassam qualquer discussão  econômica no Brasil”, defende Pádua.

Vários eventos em um só

É grande a expectativa em torno do congresso, que reúne diversas outras atrações, como salas de apresentação de trabalhos acadêmicos, a disputa nacional da gincana de economia - da qual participam estudantes de todo o país - e ainda é um espaço para diversas instituições de classe relacionadas ao setor econômico, bem como das escolas de ensino superior. “O congresso será melhor quanto maior for a pluralidade de ideias que conseguir agregar ao debate”, defende Pádua.

1987 – um marco na história

A VII edição do CBE, ocorrida em Belo Horizonte, em 1987,  foi pautada em torno da temática do novo modelo do desenvolvimento nacional, com a definição de temas específicos como “A nova ordem internacional e a questão externa”; “Preços, salários e distribuição de renda”;  “A rearticulação dos mecanismos de financiamento”, “Políticas setorial e regional”, “As entidades dos economistas, o momento sindical e a Constituinte”, entre outros assuntos vigentes na época.

Em seus trabalhos o congresso contou com economistas, acadêmicos, políticos, ministros  e lideranças setoriais como Edmar Lisboa Bacha, Clélio Campolina Diniz, Paulo Haddad, Paul Singer, Afonso Celso Pastore, João Heraldo Lima, José Serra, Dorothea Werneck, além de representantes internacionais, entre os quais, o secretário adjunto do Ministério da Fazenda do México, Jaime Jose Puche e Roberto Boyer, da Sorbonne de Paris.

O evento resultou na elaboração da Carta de Minas, documento no qual os economistas fazem severas críticas à politica econômica de então, com “sucessivos equívocos e desacertos e políticas sociais não atendidas”. Apesar da dureza do documento, os participantes do congresso indicavam, como caminho, a urgência de se recuperar o planejamento como mecanismos da política econômica. Sugeriram reformas na indústria e tecnologia, na agricultura, nos serviços públicos e na área social.