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12/05/2017

CARTA DE CONJUNTURA #01: UM ANO DE GESTÃO TEMER: a quem este governo está servindo?

O governo Temer completou um ano de gestão neste 12 de maio. Empossado em meio à turbulência do chamado golpe parlamentar que afastou a presidente Dilma, o então vice-presidente assumiu com promessas de recuperar os fundamentos macroeconômicos do país e colocar a economia de volta nos trilhos do crescimento.

O que assistimos nestes 12 meses de gestão foi um emaranhado de decisões tomadas a revelia de uma discussão ampla com a sociedade, que buscaram interromper toda uma trajetória de avanços econômicos e conquistas sociais que o país vinha vivendo ao longo dos últimos anos.

Sem dúvida, as medidas efetivadas nesse período contribuíram para desmantelar o sistema produtivo e retirar o poder de compra dos assalariados. Contudo, o que se constata, hoje, é a clara opção do governo Temer por beneficiar os bancos, os rentistas e o sistema financeiro em geral, quer fazer crer que ajuda aos empresários com rebaixamento do custo da mão de obra assalariada.

Os únicos indicadores que apresentaram resultados positivos no período foram a inflação, que já está abaixo do centro da meta de 4,5% ao ano, e as exportações, que têm permitido a redução do déficit das contas correntes.

Fora isso, o governo se apega a poucos indicadores conjunturais para fazer crer que o processo de retornada do crescimento está se consolidando. A essa estratégia se une boa parte da imprensa brasileira que, diuturnamente, insiste em estampar como verdade, em suas manchetes, uma desejável recuperação da economia do país.

Tais indicadores não passam de meros soluços de uma economia que, infelizmente, não consegue se sustentar nessa trilha da retomada. A mídia deveria, sim, ter como compromisso apresentar o conjunto dos dados, destacando a pluralidade de interpretações sobre a atual conjuntura econômica do país.

A rigor, o governo procura sustentar uma imagem proativa, um ano após sua posse, com base em apenas duas reformas – ambas de caráter impopular e de expressivas supressões de direitos dos assalariados –, na tentativa de convencer a sociedade de que este é o caminho para a superação da crise no curto, médio e longo prazos.

Precisamos questionar: se o governo conseguir aprovar no Congresso Nacional as reformas trabalhista e previdenciária, o Brasil sairá melhor e mais justo desta crise?

Não se pode aceitar que o governo federal imponha restritivos tetos de gastos para a sociedade, que nem ele mesmo consegue cumprir, mas não estabeleça um teto para seu próprio endividamento, que se alimenta de novos empréstimos e insustentáveis rolagens de dívidas.

Vejamos alguns fatos e dados conjunturais que nos levam a questionar a atual política econômica – e a exigir mudanças em sua condução.

 

 

Afinal, a quem este governo está servindo?

Com certeza, ele não está servindo aos empresários do setor produtivo que tanto almejam condições para retomar a produção e a geração de empregos; muito menos ao conjunto dos trabalhadores e assalariados – mulheres e homens – que lutam pelos seus empregos, pela ampliação da renda e por uma aposentadoria minimamente justa; e nem aos jovens estudantes que perdem os programas de financiamento educacional e ainda sonham com um futuro digno.

Tampouco este governo está servindo aos milhões de brasileiros e consumidores que viveram tão recentemente a sensação inédita e repleta de esperanças de serem incluídos – social e economicamente – como cidadãos e cidadãs em um país que parecia, até muito pouco tempo atrás, fadado a entrar definitivamente para o rol das nações que se orgulham de se definirem como civilizadas.