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Instituto de Previdência Municipal de Governador Valadares utiliza metodologia inovadora para medir o retorno de seus investimentos

27 de setembro de 2011

Assessoria de Comunicação CORECON-MG

 

Douglas dos Santos Barduzzi, economista do Instituto de Previdência Municipal de Governador Valadares (Iprem/GV), desenvolveu uma metodologia inovadora para a mensuração dos efeitos das movimentações financeiras (aplicações e resgates) sobre os investimentos realizados pelo instituto e seus respectivos rendimentos. Basicamente, o método consiste na marcação a mercado das carteiras, ou seja, considerando as aplicações e resgates realizados durante o mês em cada fundo de investimento, e não apenas o resultado obtido por cada fundo ao final do mês.
 
A nova metodologia passou a ser aplicada nos investimentos do Iprem/GV e os resultados já permitem que o instituto perceba com exatidão a rentabilidade obtida e a melhor forma de aplicar seus investimentos. A iniciativa do economista – que também é Delegado do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais – chamou a atenção da revista Investidor Institucional, uma das mais renomadas publicações sobre previdência privada e finanças pessoais do país. A seguir, a integra da matéria publicada pela revista em sua edição de setembro de 2011.
 
Instituto mineiro marca carteira a mercado
 
RPPS mineiro mede retorno do portfólio levando em conta as aplicações e os resgates em fundos de investimento
 
Quando chegou ao Instituto de Previdência Municipal de Governador Valadares (Iprem/GV), de Minas Gerais, o economista Douglas dos Santos Barduzzi começou a observar a forma como era feito o cálculo para mensurar a rentabilidade dos investimentos do instituto. Concursado, ele ingressou no RPPS em outubro de 2010 para ocupar o posto de economista do Iprem/GV.
 
Barduzzi lembra que a metodologia usada para confrontar a performance da carteira com a meta atuarial (de INPC + 6% ao ano) não foi considerada por ele a mais adequada, já que não capturava movimentações e realocações de carteira feitas durante o mês.
 
Ele explica que o método era o seguinte: no fim de cada mês, era observada a rentabilidade de cada fundo de investimento em que o instituto aplicava; em seguida, via-se qual o percentual do patrimônio do RPPS alocado em cada um desses fundos de investimento; fazia-se a ponderação entre o resultado de cada produto e sua respectiva participação no portfólio do Iprem/GV; e chegava-se à rentabilidade geral da carteira do instituto. “Na minha opinião, é mais correto fazer a marcação a mercado da carteira. Por isso, fui atrás de ferramentas para auferir a performance do portfólio de outra maneira, levando em conta as aplicações e os resgates que o Iprem/GV faz ao longo do mês em cada fundo de investimento, no dia em que eles são efetuados”. Explica o economista.
 
Barduzzi levou dois meses para desenvolver o método e, partir de janeiro, o RPPS passou a acompanhar o portfólio de duas maneiras. Uma é a carteira teórica, baseada no modelo antigo de medição de rentabilidade, que também é chamada de “performance dos investimentos”. A outra é a carteira efetiva, calculada com base na nova metodologia, foi batizada de “performance da carteira”. “O novo método leva em conta o fluxo monetário dos investimentos, enquanto o antigo só é calculado nos resultados dos fundos no fim do mês”, compara ele. A nova maneira de monitorar os resultados, na opinião do economista, dá uma projeção mais real do desempenho da carteira e permite um confronto mais específico com a meta atuarial.
 
Para se ter uma idéia, em agosto de 2011 a performance dos investimentos ficou em 2,26%, enquanto a performance da carteira do RPPS fechou em 2,19%. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, os investimentos tiveram rentabilidade de 6,76%. A carteira, por sua vez, acumulou retorno de 6,53% no período.
 
    
  Barduzzi: de olho no fluxo monetário.
 
Barduzzi alega que, apesar de parecer pequena, a diferença de 0,23% é relevante se aplicada a um patrimônio da ordem de 160 milhões, principalmente quando o compromisso de pagar a aposentadoria dos participantes. “A diferença de 0,23% é aparentemente pequena. Mas, colocada sobre um patrimônio de R$ 158,29 milhões, chega a R$ 364,06 mil. Este valor representa o impacto das aplicações e resgates sobre a rentabilidade de uma carteira, e é isso que o gestor deve procurar minimizar”, defende.
 
Alocação – O economista completa que o novo método leva a uma otimização do processo de aplicações e resgates nos fundos de investimento. “Assim como um empresário tem critérios para administrar seu fluxo de caixa, o instituto pode otimizar sua de aplicar e resgatar os recursos dos fundos, e não fazer isso de forma aleatória”, sugere.
 
Ele cita que, no mês de julho, diante de uma esperada desaceleração sazonal do IPCA, o RPPS tirou recursos dos fundos IMA e remanejou para um fundo do IRFM-1. por conta do recente corte de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros, a estratégia se voltou rapidamente para os fundos IMA. Com a marcação a mercado, toda a performance oriunda dessa movimentação é contabilizada, e não apenas o saldo alocado no fim do mês de cada fundo.
 
Para minimizar o impacto negativo das oscilações da Bolsa sobre a carteira de renda variável, o Iprem/GV entrou no fim de julho em um fundo de capital protegido. Da mesma forma, a aplicação foi marcada a mercado no portfólio. No fim de agosto, o resultado foi sentido. Enquanto a rentabilidade do fundo não consta na performance dos investimentos, o retorno contabilizado na performance do portfólio é de 2,17%. No mês, a rentabilidade da renda variável ficou em -15,53% na “carteira teórica” e em -8,81% na “carteira efetiva”. “Fazemos simulações para mensurar o efeito que cada movimentação pode trazer para o portfólio. Com isso, decidimos retirar recursos da renda fixa e aplicar nesse fundo de capital protegido para diminuir o efeito negativo da Bolsa na renda variável”, exemplifica Barduzzi.

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